Guardar a criação inteira - 4.

A Igreja não é uma "ONG verde"
Alguns discutem se a Igreja em geral e, em particular, o papa devem entrar no mérito do debate. Os mais contrários a determinadas descobertas científicas sobre as mudanças climáticas ainda parecem ser os mais favorável à contínua exploração dos combustíveis fósseis.
Poder-se-ia argumentar que o papa tem coisas mais importantes para se preocupar do que com o ambiente. A sua tarefa de pastor deveria ser – dizem – a salvação das almas. Alguns poderiam pensar que a fé é um acréscimo opcional ao compromisso ecológico, o que, aliás, é desmentido por todos os últimos pontífices: seria como que dizer que os fundamentos são um acréscimo opcional de um edifício.
De fato, é pela fé que sabemos que somos "criaturas" e não produtos acidentais ou fortuitos de forças cegas ou coincidências casuais.
Essa preocupação não transforma a Igreja em uma "ONG verde". Pelo contrário, devemos repetir com o Concílio que, nos nossos dias, a humanidade "levanta ansiosas questões sobre a atual evolução do mundo, sobre o lugar e sobre a tarefa do homem no universo, sobre o sentido dos próprios esforços individuais e coletivos, e ainda sobre o fim último das coisas e dos homens" (Gaudium et spes, n. 3).
Por isso, é preciso instaurar um "diálogo sobre esses vários problemas, aportando a luz do Evangelho e pondo à disposição do gênero humano as energias de salvação que a Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, recebe do seu Fundador. Trata-se, com efeito, de salvar a pessoa do homem e de edificar a sociedade humana" (ibid).
A preocupação com a ecologia humana e ambiental mostra uma dimensão fundamental da fé, da forma como é vivida hoje para a salvação do homem e para a construção da vida social. Delineia-se, portanto, como parte da doutrina social da Igreja.
Por isso, hoje, chegou o momento de ter uma Carta Encíclica inteira – e não mais apenas alguns parágrafos dela – sobre o tema ecológico.



Hoje, sabemos muitas coisas sobre o ambiente. Foram realizadas muitas pesquisas. E, mesmo que não estejamos de acordo sobre alguns resultados, a poluição dos rios e dos lagos, as monoculturas que destroem a terra e os meios de subsistência, a morte de tantas espécies causada pelo progresso humano são todas coisas evidentes, que precisam de uma atenção específica dos fiéis. Todas essas análises devem ser vistas pelo fiel em uma perspectiva cristã.
Na realidade, depois da Mensagem de 1990 de São João Paulo II, a questão não é mais se os católicos devem abordar questões de ecologia em uma perspectiva de fé. A verdadeira pergunta feita por todas as sociedades, incluindo as comunidades cristãs, é sobre o como se deveria fazer isso.
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Guardar a criação inteira - 5.

O peso da Encíclica no progresso global em curso
A ciência fez o seu melhor, coletando o máximo de dados possíveis, iniciando colaborações entre muitos saberes especializados, pondo em comum as competências recíprocas, chegando a uma opinião unânime e dando sugestões.
As perguntas são inúmeras. As mudanças climáticas são antropogênicas, ou seja, devidas ao homem? Ou são um processo cíclico da natureza? Ou provavelmente são causadas por ambos? E, seja qual for a causa, pode-se fazer alguma coisa? É incontestável o fato de que o nosso planeta está se aquecendo.
Com efeito, o Relatório de Síntese do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de novembro de 2014 foi muito severo. Thomas Stocker, o copresidente do Grupo de Trabalho 1 do IPCC, comentou assim: "A nossa avaliação reconhece que a atmosfera e os oceanos se aqueceram, a quantidade de neve e de gelo reduziu, o nível do mar aumentou, e a concentração de dióxido de carbono atingiu um nível sem precedentes ao menos nos últimos 800 mil anos" (http://www.un.org).
Essa é a opinião unânime de mais de 800 cientistas do IPCC e representa um desafio enorme. Agora, cabe a todos, embora sendo a maioria não cientistas, tirar as conclusões e agir.
Papa Francisco, preparando a sua encíclica, enfrenta o desafio, reconhecendo adequadamente o ponto de vista científico sobre as mudanças climáticas, as suas causas e consequências, e os remédios necessários.
O líder da principal religião do mundo se valerá da sua fé, do ensinamento da Igreja e das melhores informações e dos melhores conselhos à disposição, demonstrando que é nossa tarefa recolher e avaliar informações, julgar, tomar decisões e agir.
Este é o seu objetivo: não apenas fazer especulação nem se unir a esta ou aquela teoria, mas convidar os homens de boa vontade a considerar bem as suas responsabilidades para com as gerações futuras e agir em consequência.
Os fiéis têm um motivo a mais para serem bons administradores do dom da criação, porque sabem que se trata de um dom de Deus. Não é necessário ser estudiosos do clima para cumprir as próprias responsabilidades ambientais, como fiéis que habitam a terra. O debate, depois, será bem-vindo.
Não se trata aqui de fazer campanhas para salvar algumas espécies animais ou vegetais raras – o que é importante em si mesmo –, mas assegurar que centenas de milhões de pessoas tenham água limpa para beber e ar puro para respirar.
Essa é uma grave responsabilidade moral à qual não se pode fugir. A falta de resposta seria um pecado de omissão.
O tempo da nova encíclica é significativa: 2015 é um ano decisivo. No mês de julho, as nações vão se reunir para a III Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento, em Adis Abeba. No mês de setembro, aAssembleia Geral das Nações Unidas deverá encontrar um acordo sobre uma nova série de objetivos de desenvolvimento sustentável, a serem postos em prática até 2030. No mês de dezembro, a Conferência sobre as Mudanças Climáticas, em Paris, acolherá os planos e os compromissos de cada governo para retardar ou reduzir o aquecimento global.
Os meses de 2015 são cruciais, portanto, para as decisões referentes ao cuidado ou à gestão da terra e para o compromisso efetivo com o desenvolvimento internacional e o bem-estar dos homens. É por isso que o Papa Francisco afirmou ainda durante o voo para Manila: "O importante é que haja um pouco de tempo entre a saída da encíclica e o encontro de Paris, para que seja uma contribuição. O encontro no Peru não foi grande coisa. Decepcionou-me a falta de coragem".
A pergunta agora é: em que condição nos colocamos diante desses desafios da ecologia e das mudanças climáticas? Um momento negativo, alguns poderiam dizer: a avidez, a estupidez, a falta de cuidado e o orgulho do homem causaram tantos danos irreversíveis, a tal ponto que nos encontramos no limiar da autodestruição. A humanidade destrói o planeta, a sua única casa.
Mas talvez haja outro modo de olhar para o momento atual. Até pouco tempo atrás, a natureza, com as suas forças poderosas e os seus processos misteriosos, parecia estar completamente à mercê de uma família humana que lutava para sobreviver e chegar ao fim do mês. Embora isso ainda seja verdade para a maioria – a maioria vulnerável –, no entanto, no seu conjunto, a família humana é impulsionada pela crise climática a crescer e a assumir um novo tipo e um novo nível de responsabilidade.
Bento XVI falara de uma boa ocasião de discernimento e de nova projetualidade. Pela primeira vez, de modo maduro, devemos exercer uma responsabilidade comum pela Terra, a nossa casa comum.
Sentimos que é preciso repropor hoje o que a Civiltà Cattolica escrevia há um quarto de século: "Em última análise, só olhando com humildade para dentro de nós para enfrentar o lado escuro do nosso ser, é que encontraremos a coragem e os recursos para ter misericórdia para com os outros, com as gerações futuras, com a Terra e com todas as suas criaturas. Só reconhecendo e aceitando as nossas contradições e feridas, é que o nosso desejo aparentemente incontestável de poder, bem-estar e domínio perderá força pouco a pouco. Visto sob essa ótica, o problema ambiental se revela fundamentalmente um problema humano, um problema de conversão contínua e de autêntica humanização" (J. McCarthy, "A Conferência Mundial do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento", in La Civiltà Cattolica. 1992, IV, p. 560-577).
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Guardar a criação inteira - 6.

Em busca das implicações ecológicas da nossa fé
Nunca antes de hoje, na história, o Santo Padre e a Igreja tiveram um peso tão relevante em um processo global tão vasto em curso. Mais em geral, é verdade que hoje "a religião – como disse o Patriarca Bartolomeu, entrevistado pela nossa revista – provavelmente seja a força mais pervasiva e poderosa da Terra. De fato, a fé não só desempenha um papel fundamental na vida pessoal de cada um de nós, mas também desempenha um papel fundamental como força de mobilização social e institucional" (A. Spadaro"Entrevista com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I", in La Civiltà Cattolica, 2015, II, p. 3-16).
Por isso, a ecologia é um tema profundamente ecumênico (ibid, p. 11s), mas também inter-religioso, como o próprio pontífice reconheceu no voo para Manila, no dia 15 de janeiro de 2015.
No fim da Cúpula do Rio de 1992, a nossa revista já afirmava a importância espiritual e religiosa do tema ecológico: "Os recursos espirituais da humanidade são múltiplos e profundamente enraizados. Apenas sondando corajosamente a riqueza das tradições religiosas de cada sociedade, é que a humanidade pode esperar alcançar a compreensão e a visão moral e religiosa para avançar realmente juntos no caminho comum da salvação da Terra e da humanidade. Será uma aventura comum, enquanto nos preparamos para a corajosa tarefa de nos interrogarmos de maneira crítica em busca das implicações ecológicas da nossa fé" (J. McCarthy"A Conferência Mundial do Rio...", op. cit.).
Essa abordagem espiritual e religiosa (cf. G. Salvini"Ciência e religião diante do ambiente", in La Civiltà Cattolica, 2002, III, p. 151-163) vale radicalmente para os cristãos. Na missa, no momento da apresentação das ofertas, o celebrante diz: "Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano: que agora vos apresentamos e que para nós se vai tornar Pão da vida".
Essa oração familiar expressa as relações dinâmicas em que vivemos e agimos, recebemos e damos, rezamos e trabalhamos. Nessas palavras, encontramos o universo inteiro, a terra fecunda e um pouco de pão, a generosidade de Deus e a obra do homem e a nossa oferta.
Para o fiel, o nosso ambiente é um "ambiente divino", isto é, um mundo interpretado como lugar de união com Deus, compreendido cristicamente e vivido em nível de fé. É preciso redescobrir uma "visão eucarística do mundo" no modo como é proposta, por exemplo, pelo Metropolita de Pérgamo (cf. I. ZizioulasIl creato come eucaristia. Approccio teologico al problema dell’ecologia. Magnano: Qiqajon, 1994).
O empenho do Papa Francisco nos impulsiona a uma espiritualidade ecológica, a uma vida espiritual e sacramental que não seja alheia ao fato de que habitamos a criação.
Esperando pela Carta Encíclica do Papa Francisco, sustente-nos o fato de saber que "o Espírito age em cada um dos elementos do cosmos, preenche todo o Universo com a glória e a energia de Deus, e anima os nossos corações com o entusiasmo por tudo o que é criativo, bom, justo e nobre" (The Churches Responsibility [A Responsabilidade das Igrejas], Carta do Conselho Ecumênico das Igrejas, 1992).
La Civiltà Cattolica

Nova ameaça da “ideologia de gênero”


“A ideologia de gênero é uma tentativa de afirmar para todas as pessoas que não existe uma identidade biológica em relação à sexualidade. Quer dizer que o sujeito, quando nasce, não é homem nem mulher, não possui um sexo masculino ou feminino definido, pois, segundo os ideólogos do gênero, isto é uma construção social” (Dr. Christian Schnake, médico chileno e especialista em Bioética, Ideologia de gênero: conheça seus perigos e alcances. Destrave. Canção Nova, acessado em 2/6/15), conforme expus em Nota Pastoral recém-publicada.

Ora, essa ideia, que vem sendo difundida como palavra de ordem nos últimos tempos, apareceu no Plano Nacional de Educação (PNE), mas, graças à mobilização das forças vivas e atuantes do Brasil, contando, inclusive, com alguns Bispos, foi banida. Agora, porém, volta ao Plano Municipal de Educação (PME). No mínimo isso é uma incoerência: colocar no plano municipal o que não consta no federal! Cada município ficará, pois, por meio de seus vereadores, responsável, diante de Deus e de seus munícipes, de excluir (se, obviamente, já estiver no texto), até o fim de junho, a revolucionária ideologia de gênero para as crianças e adolescentes em fase escolar atendidas pela rede municipal de ensino. Arbitrariamente, algumas atitudes federais já inserem alguns tipos dessa ideologia em nossas escolas, mesmo através de livros e outras decisões por decreto. Querem transferir para a orientação da escola aquilo que as famílias são chamadas da passar aos seus filhos.

De um modo amplo, ideologia é um termo que se origina dos filósofos franceses do século XVIII, conhecidos como ideólogos (Destutt de Tracy, Cabanis etc.) por estudarem a formação das ideias. Logo depois, passou a designar um conjunto de ideias, princípios e valores que refletem uma determinada visão de mundo, orientando uma forma de ação, sobretudo uma prática política.

Hoje, o termo ideologia parece ser amplamente utilizado, sobretudo por influência do pensamento de Karl Marx, na filosofia e nas ciências humanas e sociais em geral, significando o processo de racionalização – um autêntico mecanismo de defesa – dos interesses de uma classe ou grupo dominante para se manter no poder (cf. H. Japiassú e D. Marcondes. Dicionário Básico de Filosofia. 3ª ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999, verbete ideologia).

Ora, esta base é que sustenta a ideologia de gênero, cujas raízes merecem ser, em suas várias vertentes, conhecidas pelo povo brasileiro.
Pois bem, no período entre as duas grandes guerras mundiais (1918-1939), estudiosos de diversas áreas – Filosofia, Sociologia, História, Economia, Psicologia etc. – ligados à chamada Escola de Frankfurt, se puseram a criticar tanto a burguesia capitalista quanto o comunismo extremado, ou seja, aquele de fundo marxista-leninista dogmático. Em seu lugar, propunham um marxismo sorridente, capaz de se difundir no Ocidente dado que aqui se faziam muitas ressalvas ou críticas ao modelo comunista russo implantado no governo desde novembro de 1917.

Esse comunismo, mais aberto para enganar os ingênuos, trazia em seu bojo a filosofia marxista da luta de classes, na qual, segundo o filósofo alemão Frederick Engels, em sua obra “A Origem da Família, da Propriedade e do Estado”, escrita em 1884, “o primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher unidos em matrimônio monogâmico; e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino” (New York, 1972, p. 65-66).

Pois bem, essa luta de classes no modelo tratado por Engels foi unida às teorias de Sigmund Freud (1856-1939) e transformada também em luta de sexos, na qual a mulher seria a classe oprimida e o homem a classe opressora. A libertação viria no momento em que as mulheres se soltassem sexualmente, praticando a genitalidade sem barreira alguma. Mesmo o “incômodo” do filho teria solução: a Rússia legalizou o aborto já no ano de 1920, visto que ainda não se conhecia a pílula anticoncepcional e muito menos os fármacos abortivos.

Infelizmente, tudo isso não foi libertador, mas tornou muitas mulheres, sempre tão queridas por Deus, novas escravas, não mais apenas vítimas dos homens, mas de si mesmas, dado que, talvez na ânsia de se libertarem, acabaram pagando o alto preço dos efeitos colaterais da libertinagem, especialmente com o aumento da prostituição, do consumo de álcool e de outras drogas, das pílulas anticoncepcionais, das pílulas do dia seguinte (abortivas) e do aborto cirúrgico, cujas sequelas no corpo e na mente podem ser danosas para sempre. Afinal, nenhuma mulher com uma boa formação humana e cristã, por sua natureza materna inata, dormirá em paz depois de pensar que assassinou o próprio fruto do seu ventre.

Logo depois se assomou a isso tudo o construtivismo social. Que ensina essa escola? – Ensina a desconstrução da realidade, e, com Jaques Derrida e Michel de Foucault, foi também aplicada à sexualidade. Para eles não existe a realidade (objeto) nem o homem que descobre a realidade (sujeito), mas apenas a linguagem que produz os objetos ao lhe dar os nomes que os classifica e caracteriza. 

Essa linguagem, porém, é fruto de mera construção social que atribui a ela o valor semântico que quiser. Daí serem esses valores mutáveis como a sociedade, de modo que o modelo cultural atual é responsável por destruir o anterior, e assim sucessivamente, inclusive no campo moral. Reina, portanto, o relativismo, e, para Foucald o pansexualismo: tudo giraria em torno da sexualidade.

Com o existencialismo ateu, dá-se um passo além, especialmente por obra de Simone de Beauvoir. Esta ensina que “não se nasce mulher, mas você se torna uma mulher; não se nasce um homem, mas você se torna um homem”. O gênero seria uma construção sociocultural sustentada pela experiência. Ora, se a experiência da mulher foi a de ser dominada pelo homem ao longo da história, na visão de Beauvoir, toda hierarquia deveria ser eliminada da vida pública e privada para dar lugar a relações de igualitarismo marxista (não de igualdade cristã) entre os seres humanos.

Chega-se, assim, ao feminismo de gênero como uma espécie de síntese de todas essas correntes que, brevemente, apresentei acima. Esse tipo de feminismo supera o anterior que o preparou, ou seja, aquele feminismo inicial desejoso de que a mulher fosse equiparada aos homens. Descreve bem essa evolução feminista a seguinte declaração de Shulamith Firestone: “Para organizar a eliminação das classes sexuais é necessário que a classe oprimida se rebele e assuma o controle da função reprodutiva..., pelo que o objetivo final do movimento feminista; isto é, não apenas a eliminação dos privilégios masculinos, mas da própria diferença entre os sexos; assim, as diferenças genitais entre os seres humanos nunca mais teriam nenhuma importância” (The dialectcs of Sex. Nova York: Bantam Books, 1970, p. 12).

Tudo isso leva-nos ao cerne do gênero, que é a permissão para que sejam eliminadas (como se isso fosse possível) todas as diferenças entre os sexos, complementando desse modo o que propusera o feminismo anterior ao pregar o seguinte: “a raiz da opressão da mulher está em seu papel de mãe e educadora dos filhos. Por isso deve ser liberada de ambas as tarefas, através da contracepção e do aborto e da transferência da responsabilidade da educação dos filhos para o Estado” (J. Scala. Ideologia de gênero. São Paulo: Katechesis/Artpress, 2011, p. 21). Estejamos atentos a algumas leis que já existem em que o Estado interfere na família e educação dos filhos.

A partir dos anos de 1980, todos esses ideólogos do feminismo antigo ou de gênero se uniram a outros lobbies e passaram a combater a família monogâmica e estável como um estorvo para a liberdade sexual imaginada desde os anos de 1960 para todos, a fim de destruir os planos perfeitos de Deus e, em seu lugar, impor os planos falhos da criatura. 

O ser humano, como pessoa, nunca pode ser usado como um instrumento ou um objeto, mas deve ser contemplado e amado como tal, sendo dotado de dignidade e valores. A negação da transcendência afeta diretamente a dignidade da criatura humana. Pois como disse São João Paulo II: "a divindade da pessoa humana é um valor transcendente, como tal sempre reconhecido por aqueles que se entregam sinceramente à busca da verdade" (cf. Mensagem de sua santidade João Paulo II para a celebração do XXXII Dia Mundial da Paz: 1 de janeiro de 1999).

Analisando essas ideologias supracitadas, percebemos que elas são expressão de autoritarismos que visam a valorizar seus próprios interesses, fazendo com isso que a sociedade acabe negando a transcendência do ser humano e, consequentemente, rebaixando a dignidade do homem, acarretando graves implicações no campo dos direitos humanos.

Por fim, podemos concluir que a ideologia do gênero tornou-se um instrumento utilizado para atacar a dignidade da pessoa e também a família, pois esta representa para eles um tipo de 'dominação'. Ao contrário, nós dizemos que é pela família que conseguiremos restaurar tal dignidade; pois é por ela que somos educados e formamos verdadeiros valores e ideais.

As perguntas que ficam são: uma sociedade com indivíduos que cultivam ódio a Deus e tentam destruir valores intrinsecamente sagrados como a vida e a família poderão ter um futuro promissor? Os seres humanos são mais felizes ou mais frustrados com tudo isso? Não estaria, em parte ao menos, atrelado a essa degenerescência dos valores o alto índice de adolescentes e jovens que tentam buscar escapes nos entorpecentes ou mesmo nas tentativas ou na consumação de suicídios? As perguntas atuais sobre os rumos da humanidade e as dificuldades de respostas da sociedade estão a comprovar os descaminhos que a sociedade hodierna está tomando.

Já não passou da hora de nos voltarmos mais à misericórdia de Deus e confessarmos confiantes: Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! (cf. Jo 6,68)? Sim, pois só Ele é a verdadeira e definitiva libertação de toda opressão que o ser humano possa sofrer. E ao acolhermos a “palavra de Deus” iremos ver que encontraremos o verdadeiro “ser humano” criado à imagem e semelhança d’Ele. E veremos que mesmo os estudiosos e cientistas sérios chegarão à mesma verdade através de suas reflexões e raciocínios. Cabe a nós, cidadãos de hoje, levarmos avante os verdadeiros valores desta pátria que amamos e aonde habitamos como cidadãos que têm direitos e deveres e que se responsabilizam pelo futuro.


Dom Orani João Tempesta

NOTA SOBRE A QUESTÃO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NOS PLANOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO

São Paulo, 08 de junho de 2015
De acordo com o prazo estabelecido pela lei 13.005/2014, que sanciona o Plano Nacional de Educação (PNE), todos os municípios do Brasil devem aprovar seus Planos Municipais de Educação (PME) até o próximo dia 24 de junho.

A arquidiocese de São Paulo acompanha atentamente a tramitação do PME de São Paulo, no qual se faz menção a “questões de gênero”. Segundo a ideologia de gênero, o indivíduo precisa libertar-se de sua identidade sexual biológica e “construir” uma identidade de gênero inteiramente subjetiva. Isto não nos deixa de suscitar perplexidade e preocupação. As consequências de tal distorção antropológica na educação poderão ser graves.
Os legisladores têm o dever de buscar em tudo o bem comum, de acordo com critérios de verdade e respeito pela natureza e dignidade da pessoa humana, evitando a indevida ingerência do Estado no direito e dever dos pais e das famílias de escolherem o tipo de educação dos filhos, segundo sua consciência.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo




Eucaristia como fonte da ministerialidade da Igreja - 2.



A Celebração eucarística é o lugar, o momento, a ocasião em que a Igreja aparece de modo mais completo e verdadeiro. Ali, o Povo de Deus, reunido para escutar a Palavra e com fé responder o “Amém”, oferece ao Pai com Cristo o sacrifício perfeito e santo e, comungando no mesmo Corpo do Senhor, torna-se também ele corpo do Senhor. Na Celebração, este corpo de Cristo que é a Igreja aparece todo unido e todo articulado num só Espírito Santo, mas também diversificado nos seus vários membros, com seus carismas e ministérios. Assim, Unir-se na comunhão com o Corpo eucarístico de Cristo nos compromete a construir o seu corpo que é a Igreja, cada um segundo o dom que a graça de Cristo lhe concedeu. Da Eucaristia, portanto, brotam e na Eucaristia encontram lugar e sentido os diversos carismas e ministérios para a edificação do corpo de Cristo.


É verdade que na sua realidade mais fundamental, a Igreja é um corpo de iguais, pois, pelo Batismo, todos têm a comum dignidade de filhos de Deus, chamados a viver o Evangelho na caridade e a testemunhá-lo diante do mundo pela palavra e pela vida. Mas, também é verdade que, no interior desse corpo, há diversidade de ministérios e carismas. A primeira grande diferenciação que aparece na Celebração é aquela entre os ministros ordenados, marcados pelo sacramento da Ordem e os demais membros do povo de Deus. Assim exprime-se o Papa João Paulo: “Como ensina o Concílio Vaticano II, os fiéis por sua parte concorrem para a oblação da Eucaristia, em virtude do seu sacerdócio real, mas é o sacerdote ministerial que realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo. Por isso se prescreve no Missal Romano que seja unicamente o sacerdote a recitar a oração eucarística, enquanto o povo se lhe associa com fé e em silêncio. A afirmação, várias vezes feita no Concílio Vaticano II, de que o sacerdote ministerial realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo (in persona Christi), estava já bem radicada no magistério pontifício. Como já tive oportunidade de esclarecer noutras ocasiões, a expressão in persona Christi quer dizer algo mais do que em nome, ou então “nas vezes” de Cristo. “In persona”, isto é, na específica e sacramental identificação com o Sumo e Eterno Sacerdote, que é o Autor e o principal Sujeito deste seu próprio sacrifício, no que verdadeiramente não pode ser substituído por ninguém. Na economia de salvação escolhida por Cristo, o ministério dos sacerdotes que receberam o sacramento da Ordem manifesta que a Eucaristia, por eles celebrada, é um dom que supera radicalmente o poder da assembléia e, em todo o caso, é insubstituível para ligar validamente a consagração eucarística ao sacrifício da cruz e à Última Ceia” (Ecclesia de Eucharistia, 28s). É todo o povo de Deus reunido para a Eucaristia quem celebra, como povo sacerdotal, inserido no corpo eclesial de Cristo. Mas, é o sacerdócio ministerial que coloca o povo sacerdotal em condição de oferecer o Santo Sacrifício. Assim, com a unção do Espírito recebida não da assembléia, mas do próprio Senhor, pelo sacramento da Ordem, os ministros sagrados têm a capacidade de oferecer a Eucaristia pela Igreja e pelo mundo inteiro. Já o povo sacerdotal, corpo do Senhor, que é a Igreja, participa dessa oferta trazendo ao Altar seu sacrifício espiritual, isto é, uma existência vivida na potência do Santo Espírito, feita de lutas, lágrimas, alegrias e tristezas, de virtudes e esperanças. Tudo isso é oferecido com o Cristo pelo mundo inteiro.


Ora, esta participação de todos a todos compromete na edificação da Igreja e na construção do Reino de Deus neste mundo. Seja como ministro ordenado, leigo no mundo nas suas verias profissões, estados de vida ou ocupações, religiosos consagrados pelos votos, todos devemos com nossa vida e ação edificar o corpo do Senhor. Como todos participam da Eucaristia, todos têm o dever sagrado de assumir seu papel de batizado e crismado, assumindo sua parte de responsabilidade na edificação do Reino de Deus. Seja solteiro, seja casado, seja religioso, seja secular, ninguém está dispensado de assumir seu serviço, isto é, seu ministério, na Igreja em favor do mundo.
Assim, a partir da Eucaristia celebrada por todos, aparece claramente que a Igreja é uma comunidade toda ministerial, isto é, toda formada por gente chamada a servir, como Cristo, que veio para servir, e na Eucaristia torna sempre presente o memorial de sua vida dada por nós e pelo mundo inteiro como serviço de amor. Esta realidade é muito bem expressa nos próprios textos litúrgicos, quando se reza pelo Papa, o Bispo local, o Episcopado em geral, os ministros ordenados, todo o povo de Deus “e todos aqueles que vos procuram de coração sincero” (Oração Eucarística IV).


Eucaristia como fonte da ministerialidade da Igreja - 1.

Dom Dirceu Vegini

A Eucaristia faz a Igreja ser corpo de Cristo. Neste corpo, formado por muitos membros, nem todos fazem a mesma coisa, mas cada um tem sua função, seu dom, seu modo específico de enriquecer e fazer crescer o corpo. Assim, aqueles que, celebrando o Banquete eucarístico, formam um só corpo, assumem seu lugar de serviço no corpo de Cristo que é a Igreja. Quem não sabe e não quer servir, não serve para ser Igreja e não pode participar do Corpo do Senhor! O Papa São João João Paulo II afirma no número 34 da Ecclesia de Eucharistia:Enquanto durar a sua peregrinação aqui na terra, a Igreja é chamada a conservar e promover tanto a comunhão com a Trindade divina como a comunhão entre os fiéis. Para isso, possui a Palavra e os sacramentos, sobretudo a Eucaristia; desta vive e cresce e ao mesmo tempo exprime-se nela. Não foi sem razão que o termo comunhão se tornou um dos nomes específicos deste sacramento excelso. 

Dom Dirceu Vegini

Dom Dirceu Vegini


Dom Dirceu Vegini

Ao Deus que não existe!

De Miguel de Unamuno, o ateu inquieto: "Ó Deus que não existes! Que pena que tu não existas, pois se existisses, eu também existiria de verdade!" Eis aqui um ateu que tem muito a nos dizer e a nos fazer pensar! Eis um pérola sua: “Aqueles que acreditam que creem em Deus, mas sem paixão em seu coração, sem angústia mental, sem incertezas, sem dúvidas, e às vezes até mesmo sem desespero, creem apenas na ideia de Deus, mas não no próprio Deus”.
E, no entanto, sem Deus - ao menos sem a sincera procura por Deus! -, a existência é sem sentido. Ponto e basta: não á onde ancorá-la, não há um sentido mais profundo que ela possa ter!

Ouve meus rogos Tu, Deus que não existes,
e em Teu nada recolhe estes meus lamentos!

Tu, que aos pobres homens nunca deixas
sem consolo de engano. Não resistes
ao nosso rogo, e o nosso anelo viste.

Quando mais Te afastas de minha mente;
mas recordo os doces conselhos
com que minh’alma acalentou certa vez noites tão tristes.

Quão grande és, meu Deus! Tu és tão grande,
que não és mais senão Idéia; é muito estreita
a realidade por muito que se expande
para abarcar-Te.

Sofro eu por Tua causa,
Deus não existente, pois se tu fosses de fato realidade,
também eu existiria de verdade.

 

Ideologia de gênero??????

Conheça o que é ideologia de gênero. Não podemos ficar indiferentes... 



ATENÇÃO...


Caros amigos, solicito que se faça a leitura da mensagem da Presidência do Regional Sul II - CNBB, sobre a Ideologia de Gênero (Vide mensagem abaixo), no término das Missas dias 06 e 07 de junho de 2015 e entregue às pastorais e movimentos da paróquia.
Peço para que o padre e lideranças eclesiais façam chegar esta mensagem aos vereadores e ao Secretário Municipal de Educação, dialogando com eles sobre o assunto até o dia 20 de junho de 2015, já que o seu município deve aprovar o Plano de Educação até o dia 24 de junho de 2015. 
No diálogo com os vereadores e o Secretário Municipal de Educação deixar claro o posicionamento da Igreja sobre a ideologia de gênero.


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